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O CARTEIRO DA SAUDADE

A memória dos tempos passados é feita de objectos que a perpetuam. Aqui, cada peça conta uma história. E existe a possibilidade de ambas passarem a fazer parte da sua vida. Não falamos de antiguidades, falamos de peças com história. Desfrutem!

O CARTEIRO DA SAUDADE

A memória dos tempos passados é feita de objectos que a perpetuam. Aqui, cada peça conta uma história. E existe a possibilidade de ambas passarem a fazer parte da sua vida. Não falamos de antiguidades, falamos de peças com história. Desfrutem!

A Chávena de Inês

 

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Inês era uma jovem professora, que havia sacrificado a sua vida pessoal para poder desempenhar a profissão de que tanto gostava: ser professora primária. Natural de Lisboa, corria o país para ministrar o seu magistério. Nos anos cinquenta, acabaria por se fixar no Alentejo, onde permaneceria mais de 40 anos a ensinar as crianças daquelas paragens.

 

Para além da sua profissão, como era muito habilidosa, nas horas mortas em que a família fazia falta, a professora entretinha-se a pintar chávenas e outras louças. Havia aprendido o oficio com a sua tia, natural de Aveiro e operária da fábrica Vista Alegre.

 

Esta chávena, assinada pela professora Inês, pertencia ao seu espólio, posto à venda pelos seus sobrinhos.

 

 

O Tinteiro com Sabor a Oriente

 

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Este belo tinteiro de latão pertenceu a um nobilíssimo advogado português, oriundo de Macau. Nascido naquele território no inicio do século XX, desenvolveu a sua atividade no centro da cidade, tendo como clientes uma boa parte da melhor sociedade daquele lugar. Na sua grande secretária de estilo indo-português repousava aquele tinteiro, exibindo uma figura oriental, pronta a carregar as canetas....

 

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Os seus herdeiros, após a transferência do território para a China, voltaram a Portugal. Vicissitudes da vida levaram a desfazerem-se dos seus pertences.

 

 

O Prato que cheira a Verão

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Este enorme prato de cerâmica árabe, foi comprado em Marrocos, durante os anos 80, quando um casal de portugueses lá se deslocou para visitar as maravilhas daquele país tão perto e tão longe de nós. Perto em termos de localização geográfica, longe em termos culturais. Um artesão o modelou e o vendeu na medina de Casablanca. Uma portuguesa o adquiriu e o trouxe para Portugal, onde repousou durante anos na parede da sua casa de campo.

 

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Grande e pesado, com motivos árabes, assinado pelo artesão, foi dificil encaixá-lo no porta-bagagens do Renault 5 e trazê-lo para Portugal, atravessando o mediterrâneo, através do golfo de Ceuta, via Algeciras, até chegar a Portugal e, enfim, repousar num Alentejo, que tanto tem de mouro como de cristão...

 

 

A Cozinha da Avó II

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Conto-vos, agora, mais uma história da cozinha daquela varina lisboeta, que vivia num decrépito prédio de Alfama. Era dela aquele prato de maçãs, que mantinha pendurado na parede. Dela também era este incrível galheteiro, como já não se vê igual, em cerâmica portuguesa azulada, fabricado em Coimbra pela fábrica Estatuária. Muito azeite guardaram aquelas galhetas, para temperarem o peixe cozinhado que vinha da lota...

 

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Mais uma vez, a sua neta, pouco dada ao tradicionalismo português, quer-se desfazer dele, dado não valorizar os objectos memória do povo português. Por isso, este belo exemplar, dificil de encontrar por estar completo e em bom estado, procura uma nova casa...

 

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A Cozinha da Avó I

 

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Este belíssimo e antigo prato, produzido em cerâmica, pertencia a uma das últimas varinas lisboetas. Vendedora de peixe em vários mercados da capital, comprou este prato, pleno de maçãs, durante uma excursão às Caldas, onde fora em Lua-de-Mel. corria os anos cinquenta. Desde então, o prato das maçãs não mais abandonaria as paredes da sua pequena cozinha, velha e acanhada, de um prédio de Alfama.

 

A sua neta, mais virada para modernas decorações, não quis ficar com o prato que era de sua avó. Por isso, o belo prato das maçãs procura um novo lar que possa abençoar com a sua cromática alegria...

 

 

O Serviço da Esposa do Médico

 

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Pertencia a uma senhora, esposa de um médico, residente em Lisboa, na Avenida de Roma. Comprou-o numa loja de louças, na Baixa, que recebia e vendia peças em porcelana fabricadas em todo o país, especialmente pela Fábrica de Porcelanas S.P. Coimbra. Esta fábrica havia sido constituída na década de 30, de forma a por em causa a hegemonia da Vista Alegre e da Fábrica de Louças de Sacavém, que dominavam o mercado. 

 

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A senhora ficou maravilhada com o dourado das peças, com rosas pintadas à mão, de fina porcelana, muita em voga na época.  A senhora, esposa de um oftalmologista, ficou maravilhada com o filete dourado daquelas peças, que iriam sobressair no seu móvel inglês, entusiasmou-se com as pinturas manuais de belas flores nas chávenas, de alto requinte.

 

 

 

O serviço esteve longos anos fechado no louçeiro desta senhora, não acusando a passagem do tempo. Após a sua morte, a sua filha manteve-o intacto, na cristaleira, de onde só saía em dias de festa. Por fim, a sua neta, decidiu desfazer-se dele: ocupava-lhe muito espaço...!

 

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Antigas Gravuras

Nas paredes das casas das nossas mães e das nossas avós, havia sempre um espaço para quadros exibindo antigas gravuras dos mais variados temas. Desde paisagens de sitios mais ou menos longíquos até à reprodução de algumas obras célebres, as gravuras faziam parte da vida quotidiana dos nossos familiares. 

 

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Estas gravuras são portuguesas, impressas em finais do século XIX, inicios do século XX, inspiradas em obras célebres. Estas peças já são raras, mas extremamente representativas do quotidiano português. A primeira retrata a atitude da empregada perante o seu deslize de partir a chávena. Por isso, intitula-se, e bem, «A Chávena Partida». A segunda mostra-nos o banho das crianças, numa antiga selha, como se usava ainda não há muitos anos....

 

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