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O CARTEIRO DA SAUDADE

A memória dos tempos passados é feita de objectos que a perpetuam. Aqui, cada peça conta uma história. E existe a possibilidade de ambas passarem a fazer parte da sua vida. Não falamos de antiguidades, falamos de peças com história. Desfrutem!

O CARTEIRO DA SAUDADE

A memória dos tempos passados é feita de objectos que a perpetuam. Aqui, cada peça conta uma história. E existe a possibilidade de ambas passarem a fazer parte da sua vida. Não falamos de antiguidades, falamos de peças com história. Desfrutem!

Os Talheres de um Homem Solteiro

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Este lote de talheres de alpaca, de variados modelos e marcas, pertenceu a um homem solteiro, que solteiro e sozinho morreu. Na primeira metade do século XX, os talheres de alpaca eram muito populares, facilmente confundíveis com os talheres de prata e de preço mais vantajoso. Este belo conjunto de talheres pertenceu ao espólio de um antigo polícia de Lisboa, falecido nos anos setenta, que só agora veio a público. Estes haveres estavam na sua casa do páteo Bagatela, em Lisboa, na altura em que aquele lugar não se havia, ainda, transformado num condomínio de luxo e era apenas mais um dos páteos de Lisboa, funcionando como uma pequena aldeia onde todos se conheciam. O velho polícia era um homem solteiro e solitário, pelo que os talheres não deverão ter tido muita utilização... 

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A Elegante Ânfora de Cobre

 

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Nos tempos antigos, as cozinhas das casas nobres possuíam quase todas os seus utensílios em cobre: tachos, panelas, formas de bolos... Quem já visitou as cozinhas do Palácio da Pena ou do Paço dos Duques de Bragança, em Vila Viçosa, lembra-se daquelas cozinhas magníficas, onde a cor característica do cobre impera.

 

Esta ânfora de cobre, decorada e pintada à mão, pertenceu a uma casa mais modesta, mas monárquica, com todo o seu fulgor. Contudo, com as vicissitudes da vida, a casa desmembrou-se de pessoas e objectos, e a ânfora de cobre, belíssima e refulgente, procura um novo lar, onde possa voltar a brilhar.

 

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Quem tem uma folha das Caldas?

 

 

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Em quase todas as casas portuguesas, existe uma taça, um açucareiro, uma terrina, com forma de folha de couve ou de outra planta, produzida nas Caldas da Rainha. A Fábrica Bordallo Pinheiro foi a pioneira, fundada a 30 de Junho de 1884 por Rafael Bordallo Pinheiro e pelo seu irmão, Feliciano. Nesta fábrica foram criados centenas de modelos cerâmicos de grande criatividade, baseando-se nas tradições locais, adoptando a fauna e a flora como inspiração decorativa.

 

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A fábrica sobreviveu até 2008, em muito devido aos operários da fábrica. Nesse ano, seria adquirida pela VISABEIRA, a mesma proprietária da Vista Alegre, negócio que deu um novo fôlego à produção desta marca, na actualidade uma das mais promissoras e emblemáticas em Portugal. Esta peça é uma grande saladeira e representa uma folha de bananeira. Está marcada com o símbolo Bordallo Pinheiro e pertenceu a um casal de arquitectos brasileiros, embora nunca tenha sido utilizada.

 

 

 

 

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Quem não tem uma chávena de Sacavém?

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Esta belíssima chávena produzida pela Fábrica de Loiças de Sacavém, representando o motivo Estátua (mais conhecido como "cavalinho") foi produzida durante grande parte do século XX, e é um ícone das casas portuguesas, das mais simples às mais abastadas. Quem, durante o Estado Novo, não tinha um conjunto destas chávenas?

 

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A presente peça, a única sobrevivente de um serviço que não sobreviveu a várias partilhas entre familiares, pertenceu a um médico, homem solteiro, de hábitos espartanos, que a exibia no seu móvel de sala. Vivendo quase e só para a sua profissão, o doutor poucas vezes recebia visitas na sua casa. Contudo, uma vez confessara a uma delas que a havia comprado, nos Armazéns do Chiado, para oferecer a uma conquista, mas a sua oferta fora declinada. E cada vez que olhava para aquela chávena, se lembrava do mal de amor que padecera...

 

 

 

 

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